RELATÓRIO DAS OFERTAS DE CARGAS COM ORIGEM E/OU DESTINO NA PENÍNSULA IBÉRICA

1.º TRIMESTRE DE 2022

Depois de dois anos marcados pelas restrições da pandemia do coronavírus, o transporte rodoviário de mercadorias prepara-se para uma "normalização" do setor em 2022. Um processo que, neste momento, podemos afirmar que está a realizar-se com grande sucesso, se nos concentrarmos na análise da atividade da plataforma Wtransnet, a bolsa de cargas líder na Península Ibérica.


Este ano começou com números excecionais, bem superiores àqueles registados nos dois anos anteriores. De facto, neste primeiro trimestre ultrapassamos facilmente as 1,8 milhões de ofertas de cargas com origem e/ou destino na Península Ibérica, aproximadamente mais seiscentas mil do que no mesmo período de 2021. Estes números são também superiores aos registados em 2020, quando se verificou um pouco mais de 1,1 milhões de ofertas de cargas.



Assim, isto significa 45% mais ofertas de cargas do que no período de janeiro a março de 2021, representando uma média de quase 20 000 ofertas diárias, graças a alguns marcos que podemos descrever como históricos, como as mais de 800 000 ofertas de carga registadas no terceiro mês deste ano.

Um início de ano repleto de esperança

É necessário contextualizar estes dados, uma vez que o início de 2022 também foi marcado por acontecimentos, como a guerra na Ucrânia e algumas das respetivas consequências, incluindo o aumento dos preços dos combustíveis ou a greve dos transportadores em Espanha. Na verdade, foi este último que aumentou as ofertas de cargas devido ao menor número de condutores disponíveis. Ainda assim, todos os meses registaram números superiores do que em 2021, de forma que, embora esta paralisação tenha tido a sua influência, não é o único motivo pelo qual estamos a quebrar recordes nas ofertas de cargas na plataforma.


Como vemos no gráfico abaixo, março é, normalmente, um mês que apresenta dados positivos. De facto, se considerarmos apenas os meses de janeiro e fevereiro, antes do início dos protestos, as ofertas de cargas ultrapassaram um milhão, enquanto no mesmo trimestre de 2021 esse valor era ligeiramente superior às oitocentas mil.


Desta forma, o crescimento tem sido geral em todos os aspetos, com aumentos significativos nas exportações (mais de 46%), importações (mais de 51%) e transportes nacionais (mais de 42%).

EXPORTAÇÃO

As ofertas de cargas para exportação aumentaram 46% em comparação ao primeiro trimestre de 2021, devido ao aumento da atividade em todos os principais mercados dos transportadores ibéricos.

Em primeiro lugar, como habitual, temos de falar sobre França, o principal mercado de exportação de Espanha e Portugal, que representa 59% do total das ofertas publicadas neste sentido na Wtransnet, e que, no início deste ano, registou um aumento de 26% da atividade relativamente ao primeiro trimestre de 2021, aproximando-se das 200 000 ofertas de cargas.

No entanto, os aumentos mais significativos verificaram-se nos restantes países do "Top 5", especialmente na Alemanha (mais de 83%), Itália (mais de 90%) e nos Países Baixos (mais de 137%), onde as ofertas de cargas dispararam efetivamente, tornando-se destinos cada vez mais recorrentes para os transportadores espanhóis e portugueses.


Por último, e embora pareça um aumento muito mais modesto em comparação aos restantes países, devemos salientar que as ofertas de cargas com destino ao Reino Unido aumentaram 3%. É a primeira vez que se regista um crescimento neste país desde o "Brexit" e da sua saída efetiva do mercado comum europeu em janeiro de 2021.


IMPORTAÇÃO

Neste primeiro trimestre, as ofertas de importação estão no primeiro lugar, com um crescimento que atinge os 51% e mais de quatrocentas mil ofertas de cargas.

Confirma-se, assim, uma tendência ascendente que observamos há muito tempo e que poderia ser explicada não só pela recuperação efetiva do setor, mas também pelo aumento da liquidez que a incorporação das ofertas da Teleroute significou para a plataforma Wtransnet, soluções para o "regresso a casa" dos transportadores espanhóis e portugueses que regressam do resto do continente.


Assim, a nossa plataforma oferece cada vez mais alternativas para o regresso dos condutores que fazem parte desta comunidade, como evidenciado pelo crescimento registado nos nossos cinco principais mercados: França (mais de 64%), Itália (mais de 24%), Alemanha (mais de 42%), Países Baixos (mais de 53%) e Bélgica (mais de 71%).

A França é, como podemos verificar, um dos mercados de maior crescimento. É um dado a salientar, uma vez que representa 50% das ofertas de cargas de importações ibéricas. Neste contexto, também temos de destacar, novamente, que o fluxo com o Reino Unido está de volta, com um valor 24% superior ao primeiro trimestre de 2021. Embora seja uma boa notícia, não impediu que continuasse a descer de posição na lista, como consequência da expansão imparável da Áustria e da República Checa, com um crescimento de 99% e 164%, respetivamente.

TRANSPORTE NACIONAL

Finalmente, concentremo-nos na análise do transporte doméstico, que representa o maior volume na plataforma Wtransnet e que continua a apresentar números mais do que positivos. Tanto é que estamos a aproximarmo-nos de um milhão de ofertas de cargas, o que pressupõe um aumento de 42% do que apenas há um ano.

Todas as regiões da Península Ibérica têm um "saldo positivo", com a Andaluzia, Catalunha e Comunidade de Valência como as principais recetoras e exportadoras de cargas. No caso específico de Portugal, também se verificaram excelentes registos, com um total de mais de 27 mil ofertas de cargas e um crescimento de 60%.


Para finalizar, é importante destacar que, durante 2021, foram registadas mais ofertas de cargas do que ofertas de veículos na plataforma Wtransnet em todas as regiões. Esta é uma boa notícia para os transportadores ibéricos, que assim veem aumentar as suas hipóteses de nunca terem de enfrentar quilómetros sem cargas, tal como pretendemos e para o que estamos a trabalhar.


Portanto, o ano de 2022 começa com números que nos deixam otimistas face ao decorrer do resto do ano, considerando que tanto o segundo como o último trimestre são geralmente períodos de maior crescimento do que o atual. Se esta previsão se cumprir, poderia resultar em números sem precedentes nos registos da Wtransnet.


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